Cinema: políticas da Imagem

Acompanhe o lançamento do livro! Todas as quintas-feiras de agosto teremos lives com os autores e autoras da obra, sempre às 19hs. Locais: Cinecipó (Facebook), Espaço Comum Luiz Estrela (Facebook ou Youtube). Siga nossa página no Instagram e Facebook, saiba das novidades e participe dos sorteios de exemplares do livro!

O livro “Cinema: políticas da imagem” é resultado de um trabalho com conjunto do Cinecipó e do grupo de pesquisa Tecnopoéticas do programa de pós-graduação em Estudos de Linguagem do CEFET-MG. Lançado em agosto de 2020, é dividido em quatro eixos: experiência e da memória,  imagem ambiente, imagem indígena e imagem urbana. Conta com 21 capítulos escritos por 26 autores e autoras e foi organizado por Cardes Amâncio, Paulo Heméritas e Wagner Moreira. Confira os capítulos, autores/as e a apresentação.

O livro é vendido a R$ 30,00 (preço de custo) + correios:

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Leia online aqui.

Obra viabilizada com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte e do edital Exibe Minas do Governo de Minas Gerais.

Fotos: Priscila Musa

Cinema: políticas da imagem / Cardes Amâncio, Paulo Heméritas, Wagner Moreira (Organizadores). – Belo Horizonte: cefet-mg, 2020.
503p.:il. ISBN 978-85-99872-52-9

APRESENTAÇÃO

Os artigos contidos neste livro foram elaborados para marcar a passagem de sete anos de história do Cinecipó – Festival do Filme Insurgente, iniciada no verão de 2011 no município de Santana do Riacho – MG, sede do Parque Nacional da Serra do Cipó. O nascimento do Festival está correlacionado a necessidade percebida por seus idealizadores de discussão na comunidade local quanto aos impactos socioambientais (queimadas, desmatamento, inflação, violência, etc.) provocados pelas atividades econômicas ali desenvolvidas notadamente o turismo, a especulação imobiliária, a mineração e a agropecuária.

A serra do Cipó está situada em uma área biodiversa do cerrado mineiro, morada de antigos sítios remanescentes de quilombolas e de nativos indígenas do interior brasileiro. Nesse sentido a proposta do Cinecipó fundamenta-se diante de uma pretensão simples: refletir sobre a questão ambiental local através da exibição de filmes de diferentes formatos e temáticas socioambientais. Com o propósito de transformar a arte midiática num instrumento cultural fundamental para a orientação das subjetividades foram realizados debates no sentido de motivar uma vida ativa nas arenas políticas existentes como os conselhos municipais e as audiências públicas que compõem a participação democrática ampliada.

O Cinecipó recentemente passou a ser realizado também na cidade de Belo Horizonte e redefiniu sua temática nuclear passando a denominar-se Festival do Filme Insurgente. Hipoteticamente, o filme insurgente é aquele que corajosamente abandona os pressupostos discursivos e estéticos existentes no cinema e ousa argumentar midiaticamente através de uma reconstrução inovadora. Literalmente, insurgente possui os seguintes significados: insurgens,-entis: particípio presente de insurgo,-ere: levantar-se, erguer-se, atacar, ameaçar, insurgir-se; que ou quem se insurge. Inssurrecto, revoltoso. Palavras relacionadas: revoltoso, insurgência, insurrecionado, rebelde1.

Esta proposta revela-se uma tentativa de reação quanto ao esquecimento da política, a alienação provocada pelo mundo do trabalho. Tornou-se um evento aglutinador de obras audiovisuais representativas de expressões sociais multifacetadas como a questão urbana, os conflitos agrários, o pensamento: ecológico, de gênero e étnico, entre outros assuntos cujo desejo é motivar os enfrentamentos de luta por justiça social.

O Cinema Ambiental contemporâneo ao qual o Cinecipó esteve atrelado nasce dos movimentos de contracultura que propiciaram o florescimento de uma identidade cultural verde2 surgida no início dos anos 1970 e foi motivada por uma reação organizada da sociedade quanto ao aparecimento sintomático da ultrapassagem dos limites do espaço físico-geográfico. As evidências surgiram notadamente nos interesses difusos como a poluição ou a escassez relativos aos direitos sobre a utilização do ar, da água, do clima e do solo. A politização da questão ecológica resultou em capital social existente hoje nesse movimento social e se deveu a intensas lutas de grupos sociais que conquistaram o direito à realização de convenções e a promulgação de legislações internacionais de proteção e conservação dos ecossistemas naturais e tiveram como evento consagrador a Conferência Rio-92, reflexo da alta regulação do campo ambiental.

Paralelamente às ações políticas, houve a incorporação de novos saberes e conhecimentos científicos desenvolvidos para enfrentar a questão dos limites no campo da Ecologia, da Sustentabilidade e da Educação Ambiental. Foi delineada uma ética3 que fundamenta o discurso ambientalista, qual seja, a preocupação em desenvolver-se socialmente o presente sem que se comprometa a garantia dos recursos naturais necessários a manutenção das gerações futuras em que a tônica da vida passa a ser o cuidado com o meio no qual se vive e com todos os viventes.

Entre as décadas de 1970 e 1990 também surgem os primeiros filmes de cinema decorrentes da expressão destas manifestações sociais e são organizados os primeiros eventos de exibição exclusiva da temática ambiental como o Fica, o FilmeAmbiente e o CineEco. Os eventos tornaram-se paulatinamente numa arena de discussão entre o real e sua representação: a imagem. Esta é utilizada nestes espaços como fonte de revelação dos múltiplos significados que o ambiente exerce sobre a humanidade e os conflitos decorrentes de seu uso numa sociedade, na expressão frankfurtiana, marcada pela razão instrumental.

Este livro apresenta a necessidade de se refletir sobre o tema do “filme insurgente”, que converge para o sentido ambiental da sua proposta e insiste em uma forma de revelar o poder contido na arte midiática, investindo no desafio de apresentar um mapa da extensa temática tratada.

Ele também estimula o ato da leitura da realidade por meio das reflexões críticas de seus autores quanto ao campo de saber – na acepção bourdieusiana – dos denominados “Cinema Ambiental”, “Cinema Socioambiental’ e “Filme Insurgente”. O diálogo estabelecido nesse sentido e que propiciou o presente livro está subdividido a partir das múltiplas abordagens analíticas realizadas quanto a questão imagética-sonora e ora organizadas nos seguintes capítulos: i – Da experiência e da memória; ii – Da imagem ambiente; iii – Da imagem indígena, e iv – Da imagem urbana.

Por fim, também esta reunião de artigos celebra a parceria do Cinecipó com o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET-MG, representado pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens posling/CEFET-MG. Este incentivou a chamada para a seleção dos artigos, bem como a elaboração do projeto editorial deste livro e a pesquisa na área da imagem, eu seu viés de divulgação científica e acadêmica, envolvendo alunos da pós-graduação e da graduação do Curso de Letras, ênfase em Tecnologias da Edição, do CEFET-MG. Em tempo, o Festival já contou com a participação de professores e alunos da instituição em sua organização e execução, tendo sido desenvolvido como projeto de extensão da mesma.

Esperamos promover uma boa leitura para aqueles que se interessam pela construção da imagem crítica nesse início de século XXI.

1insurgente”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/insurgente [consultado em 02-12-2019].

2 Manuel Castells em “O Poder da Identidade”, o verdejar do ser.

3 Há evidências que este discurso seja capturado pelo mercado para atingimento de objetivos não previstos pelos indivíduos que contribuíram para a construção do capital social ambientalista (free-riders discursivos).