Programação – Serra do Cipó

SESSÕES NA SERRA DO CIPÓ – MG

(data a definir)

O Jabuti e a Anta – Dir. Eliza Capai, Doc, 71′, SP, 2016

A seca em São Paulo é o ponto de partida da viagem. Inquieta com as imagens dos reservatórios vazios no sudeste do Brasil, uma documentarista busca entender estas obras faraônicas, agora construídas no meio da floresta Amazônica. Entre os rios Xingu, Tapajós e Ene, ecoam vozes de ribeirinhos, pescadores e povos indígenas atropelados pela chegada do chamado desenvolvimento. Um boat movie e uma reflexão sobre os impactos de nossos estilos de vida.

Estrutural – Dir. Webson Dias, Doc, 89′, DF, 2016

Fruto de uma pesquisa de mais de dez anos e utilizando material de arquivo, fotos e vídeos registrados pelos próprios moradores, durante conflitos ocorridos nos anos 90, este documentário aborda fatos marcantes para a então invasão da Estrutural. Iniciada ainda na década de 1960, quase que simultânea à construção de Brasília, essa invasão surgiu nos arredores do que hoje é o maior lixão a céu aberto da América Latina. Moradores, políticos e militares apresentam seus pontos de vista sobre o passado e o presente da comunidade, numa síntese do processo de urbanização do Distrito Federal.

Quando meu pai foi à lua – Dir. Daniel Carneiro, Fic., 62′, MG, 2016

Uma ficção científica infanto-juvenil.

 

 

 

Vivência – Dir. Marcela Morê, Doc., 70′, RJ, 2017

Uma casa é construída coletivamente utilizando materiais naturais. Para as donas da casa tudo era uma grande descoberta e um mergulho nesse universo de Bioconstrução e Permacultura. No decorrer da construção descobre-se que o que se passava ali era uma série de vivências. Uma experiência incrível para as mais de 80 pessoas de cada canto do Brasil que passaram pela obra. Atividades paralelas aconteciam durante a obra, alimentação natural, rituais de cura e muita troca de experiências e descobertas. O filme Vivência mostra uma linda casa de barro sendo feita com muito amor.

A Princesa do Beco e o Lampião Cromado – Dir. Rita de Cácia Oenning da Silva e Kurt Shaw, Fic., 88′, PE, 2016

Para Severina, uma menina de dez anos que mora num beco estreito na periferia de Recife, a favela é cenário de conto de fadas, onde príncipes e cavaleiros de reinos rivais lutam entre si, e onde o romance entre realezas do maracatu e do break pode surgir a qualquer momento.

Severina conta a história do seu herói, Okado, um jovem bailarino de breakdance que acaba de ser convidado a interpretar um gangsta numa novela. Okado deseja apresentar um personagem honesto, e na sua inocência vai entrevistando traficantes que conhece para achar inspiração para criar seu personagem… Nessas buscas toca em um grande perigo: o verdadeiro mandante do tráfico, um policial corrupto, não quer que ninguém investigue seus negócios.

Enquanto os dragões fecham o cerco ao redor do beco e as tensões crescem entre as favelas rivais, Severina só vê uma esperança para salvar seu herói e os moradores do seu beco: uma lendária rabeca mágica que leva pessoas a dançarem quando iniciam uma briga. Ela se empenha para conseguir a rabeca, embora esteja em posse do chefe do tráfico da favela rival.

Produzido numa colaboração internacional entre Shine a Light (USA), Usina da Imaginação (Brasil) e FavelaNews, colocando em cena artistas de favela e profissionais de cinema, A Princesa do Beco e o Lampião Cromado mistura a inocência e a ficção no imaginário infantil, e a inspiração da vida na periferia que oferece um documentário.

Terramotourism – Dir. Coletivo Left Hand Rotation, Doc., 42′, Portugal, 2016

A 1 de novembro de 1755 um terramoto destruiu a cidade de Lisboa. O seu impacto foi tal que deslocou o homem do centro da criação. As suas ruínas legitimaram o despotismo esclarecido.

Lisboa hoje treme novamente, abalada por um sismo turístico que transforma a cidade a velocidade de cruzeiro. O seu impacto desloca o morador do centro da cidade. Que novos absolutismos encontrarão aqui o seu álibi?

Enquanto o direito à cidade derruba-se, afogado pelo discurso da identidade e do autêntico, a cidade range anunciando o seu colapso e a urgência de uma nova maneira de olhar-nós, de reagir a uma transformação, desta vez previsível, que o desespero do capitalismo finge inevitável.

Prepara! – Dir. Muriel Alves, Doc., 15′, RJ, 2016

A história da primeira turma de um curso pré-vestibular voltado para travestis e transexuais narrada através de saltos altos, apliques, canetas, cadernos, preconceitos e sonhos.

 

Pedacinho do céu – Dir. Caio Alvarenga, Fic, 15′, RJ, 2016

No coração do Rio de Janeiro, no ponto mais alto e isolado da favela Pedacinho do Céu, mora Maria da Graça, abnegada e batalhadora mãe de Pedro, que trabalha duro para manter os estudos de seu filho. Ele, por sua vez, aguarda ansiosamente o resultado do vestibular e de uma eventual bolsa de estudos. No contexto de uma sociedade competitiva e desigual, o fracasso de Pedro pode selar definitivamente a sua sorte, mas a vitória e superação também podem cobrar seu preço.”

 

 

Apresentação

Cinema pra quem?

Da luta por reconhecimento de direitos à insurgência, o Cinecipó – Festival Internacional do Filme Insurgente tem sua travessia marcada por uma busca permanente do cinema em sua radicalidade: o filme como recusa à resignação. Dentro da arena política em que atua, o festival luta numa frente de combate para frear e contrapor as estratégias de influência midiáticas das grandes corporações de comunicação atuantes no regime democrático.

O festival tem por vocação, desde sua criação em 2010 no município de Santana do Riacho – MG, revelar as produções audiovisuais nacionais e estrangeiras que vislumbrem, em seu argumento e linguagem fílmicos:

– o cuidado, enquanto fundamento ontológico do ser e no sentido de seu devir: cuidar do futuro da sociedade;

– a crítica à negligência do Estado tecnocrático quanto às expressões sociais colocadas à margem do universo da comunicação, como a desigualdade, a exclusão, a vulnerabilidade e o preconceito.

Considerando a emergência das diversidades sociais (de gênero: LGBT – lésbicas, gays, bissexuais e transgênero;  nacionais e religiosas) e de movimentos sociais multifacetados (étnicos-raciais, trabalhadores, estudantes, feministas, ambientalistas, sem terra e sem teto) no cenário severo de lutas por representações sociais, o festival se incumbiu de incluí-los em sua programação propiciando a amplificação de sua voz e sua fala particulares.

Contudo, a abertura aos devires minoritários por parte do festival não se encerra no diverso espectro de um múltiplo horizonte discursivo engendrado pelas multiplicidades. A busca por formas de expressão insurgentes também é levantada enquanto questão de suma importância. Desvios inesperados nas relações de poder que se imprimem sobre a linguagem cinematográfica em cujos fins se faz ver uma subjetividade dominante. Trata-se do uso da linguagem do cinema enquanto forma de resistência às estruturas e saberes vigentes, como pleno exercício de uma micropolítica.

A experiência do festival tem demonstrado a validade do encontro promovido entre o espectador e os realizadores cinematográficos no sentido de complementaridade e distribuição de suas obras e que resulta numa reflexão crítica sobre o uso do audiovisual alternativo como força renovadora da sociedade e sua capacidade combativa.

Nesta edição de 2017, o Cinecipó apresenta um panorama da produção audiovisual engajada em questões políticas contemporâneas. Diante da perplexidade quanto ao regime político que se instaurou no país, em maio de 2016, e que revelou-se à sociedade, no último ano, como um projeto partidário oligárquico submisso a uma orientação econômica meramente rentista alheio aos interesses da sociedade que representa, marcado pela misoginia, pelo confisco de direitos constitucionais no âmbito das relações de trabalho, pelo ataque desmedido ao espaço natural e pela degeneração ética na política. Assim, optamos por um recorte temático circunstancial, que dentre outros temas, inclui: a violência e preconceito de gênero, o preconceito étnico, o genocídio e pauperização de sociedade tradicionais, a sustentabilidade, a democracia e a educação.

Gostaríamos de convidar os espectadores da cidade de Belo Horizonte a esta experiência educadora, libertária e insurgente.

Bons filmes!

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