Selecionados 2017

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7º CINECIPÓ – Festival Internacional do Filme Insurgente

Dias 14, 15, 16 e 17 de setembro de 2017 em Belo Horizonte / Sesc Palladium

Mostra competitiva, oficinas e mesas de debates

Apresentação

Cinema pra quem?

Da luta por reconhecimento de direitos à insurgência, o Cinecipó – Festival Internacional do Filme Insurgente tem sua travessia marcada por uma busca permanente do cinema em sua radicalidade: o filme como recusa à resignação. Dentro da arena política em que atua, o festival luta numa frente de combate para frear e contrapor as estratégias de influência midiáticas das grandes corporações de comunicação atuantes no regime democrático.

O festival tem por vocação, desde sua criação em 2010 no município de Santana do Riacho – MG, revelar as produções audiovisuais nacionais e estrangeiras que vislumbrem, em seu argumento e linguagem fílmicos:

– o cuidado, enquanto fundamento ontológico do ser e no sentido de seu devir: cuidar do futuro da sociedade;

– a crítica à negligência do Estado tecnocrático quanto às expressões sociais colocadas à margem do universo da comunicação, como a desigualdade, a exclusão, a vulnerabilidade e o preconceito.

Considerando a emergência das diversidades sociais (de gênero: LGBT – lésbicas, gays, bissexuais e transgênero;  nacionais e religiosas) e de movimentos sociais multifacetados (étnicos-raciais, trabalhadores, estudantes, feministas, ambientalistas, sem terra e sem teto) no cenário severo de lutas por representações sociais, o festival se incumbiu de incluí-los em sua programação propiciando a amplificação de sua voz e sua fala particulares.

Contudo, a abertura aos devires minoritários por parte do festival não se encerra no diverso espectro de um múltiplo horizonte discursivo engendrado pelas multiplicidades. A busca por formas de expressão insurgentes também é levantada enquanto questão de suma importância. Desvios inesperados nas relações de poder que se imprimem sobre a linguagem cinematográfica em cujos fins se faz ver uma subjetividade dominante. Trata-se do uso da linguagem do cinema enquanto forma de resistência às estruturas e saberes vigentes, como pleno exercício de uma micropolítica.

A experiência do festival tem demonstrado a validade do encontro promovido entre o espectador e os realizadores cinematográficos no sentido de complementaridade e distribuição de suas obras e que resulta numa reflexão crítica sobre o uso do audiovisual alternativo como força renovadora da sociedade e sua capacidade combativa.

Nesta edição de 2017, o Cinecipó apresenta um panorama da produção audiovisual engajada em questões políticas contemporâneas. Diante da perplexidade quanto ao regime político que se instaurou no país, em maio de 2016, e que revelou-se à sociedade, no último ano, como um projeto partidário oligárquico submisso a uma orientação econômica meramente rentista alheio aos interesses da sociedade que representa, marcado pela misoginia, pelo confisco de direitos constitucionais no âmbito das relações de trabalho, pelo ataque desmedido ao espaço natural e pela degeneração ética na política. Assim, optamos por um recorte temático circunstancial, que dentre outros temas, inclui: a violência e preconceito de gênero, o preconceito étnico, o genocídio e pauperização de sociedade tradicionais, a sustentabilidade, a democracia e a educação.

Gostaríamos de convidar os espectadores da cidade de Belo Horizonte a esta experiência educadora, libertária e insurgente.

Bons filmes!

A seguir apresentamos a programação fílmica de 2017:

 

Primeiro dia – Quinta-feira 14/9

Curtas 1 – 16h30 às 18h

Sub Terrae – Dir. Nayra Sanz Fuentes, Doc., 7′, Espanha, 2017

Sub Terrae.

O outro lado da tecnologia (At the Other Side of Technology) – Dir. José Pietro, Doc, 29′, Espanha, 2016

Ahmed, Halid e Ismaeel, imigrantes da minoria dagomba da Região Norte, vivem em Agbogbloshie, Accra (Ghana), um dos lugares mais contaminados do mundo e destino de dispositivos eletrônicos dos países desenvolvidos.

 

Pele suja minha carne – Dir. Bruno Ribeiro, Fic., 13′, RJ, 2016

João toma banho após mais uma pelada com seus amigos brancos.

Talaatay Nder – Dir. Chantal Durpoix, Doc/Fic., 20′, Senegal, 2016

Talaatay Nder, significa em língua Wolof, a Terça feira de Nder, é uma homenagem poética para as mulheres de Nder, na região do Walo, Saint-Louis, Senegal. Em 1820, as Rainhas de Nder, lutaram e escolheram o suicídio coletivo para escapar à escravidão e preservar a sua liberdade e dignidade. A história de Nder continua viva e atualiza-se na modernidade.

Curtas 2 – 18h10 às 19h10

Apacheta, Dir. Jorge Monsalve, Fic., 14′, Peru/Brasil, 2016

Chopo, um garoto da cidade, busca uma herança enterrada sob uma velha fazenda nas montanhas. Ele constrói “apachetas” como recordação de sua busca.

 

 

Bem-vinda, Nur (Bien Venida Nur) – Dir. Gabriel Bertini, Fic., 9′, Argentina, 2016

Uma mulher árabe chega a Argentina escapando da guerra para reencontrar-se com sua prima e adaptar-se a nova cultura.

Acaiaca – Dir. Leonardo Good God, Fic., 12′, MG, 2016

Maia é uma cientista que há dois anos está envolvida em uma pesquisa de comunicação seguindo teorias de física mecânica, quântica e astrofísica. Sua tese é de que múltiplos universos podem existir simultaneamente, crê em um mundo além do tempo e do espaço. Multiverso é o conceito científico que ela defende. Seu conhecimento e sua obstinação a leva ao desconhecido.

Chico – Dir. Irmãos Carvalho, Fic, 22′, RJ, 2016

Treze anos depois de um golpe de Estado no Brasil, crianças pobres, negras e faveladas são marcadas em seu nascimento com uma tornozeleira e têm suas vidas rastreadas por pressupor-se que elas irão, mais cedo ou mais tarde, entrar para o crime. Chico é mais uma dessas crianças. No aniversário dele, é aprovada a lei de ressocialização preventiva, que autoriza a prisão desses menores. O clima de festa dará espaço a uma separação dolorosa entre Chico e sua mãe, Nazaré.

Longa – 19:30 ÀS 20:30

Xeker Jetí – a casa dos ancestrais – Dir. Coletivo Tekó Porã, Doc., 58′, PE, 2016

Após 20 anos da retomada de seu território original os índios Xukurus resignificam suas tradições e procuram criar novas relações entre campo – cidade – tecnologia. Nesse contexto, em parceria com um grupo de jovens bioconstrutores de Recife, resgatam um modelo ancestral para construir sua oca de cura. Um retrato poético da resistência e valorização da identidade indígena no Sertão Pernambucano.

Segundo dia – Sexta-Feira 15/9

Curtas 3 – 16:30 às 17h45

Lurna – Dir. Nani Matos, Fic., 15′, Espanha, 2016

Lurna é uma jovem africana que sonha com uma vida melhor. Um dia realizará uma viagem com a ilusão e a esperança de econtrar seu sonho. O que Lurna não sabel é que rapidamente desejará voltar.

 

A pedra – Dir. Ana Lúcia Carvalho, Fic., Lisboa, 8′, 2016

Um encontro entre dois estranhos, uma história sobre memórias, sobre a guerra, sobre a sensibilidade de ler o outro. (Adaptação do conto “A Libélula”, do escritor angolano Ondjaki.)

Depois que te vi- Dir. Vinícius Saramago, Fic., 16′, RJ, 2016

A metódica rotina de um jovem autista muda radicalmente quando ele vê uma menina passar de bicicleta.

 

 

 

Real Conquista – Dir. Fabiana Assis, Doc., 14′, GO, 2017

Em Goiânia, no bairro Real Conquista, uma mulher, marcada por um forte passado de violência, luta por melhores condições de vida.

O solzinho do parque (El solecito del parque) – Dir. Tatiana Ospina Holguin, Fic., 22′, Colômbia, 2016

Como todos os dias, Etelvina vê transcorrer sua solidão, a espera daquele calorzinho que lhe é familiar… aquele solzinho do parque.

Curtas 4 –  18h às 19h30

Pobre, preto, puto – Dir. Diego Tafarel, Doc., 15′, RS, 2016

Nei D’Ogum é batuque, é sexo e é negritude. É amor e contradição. Um guerreiro das causas negras, gays e transexuais. Ele é a própria causa. Autodefine-se: “pobre, preto, puto”.

 

Um novo lar (A new home) – Dir. Žiga Virc, Fic., 14′, Eslovênia, 2016

Qual o maior perigo que a europa enfrenta: crise nas fronteiras ou sua própria paranóia e medo?

 

 

Corpo estranho – Dir. Vic Es Te Ves + Aranha, Doc., 25′, RJ, 2016

Com o intuito de desconstruir uma realidade educativa ou sociossexual, quatro personas emprestam seus corpos, e dividem suas vidas, suas vozes, seus desafios de existir e sua resiliência política diante da leitura moralista e do conservadorismo cultural de gênero.

 

 

 

 

A’ñanga – Dir. José Diniz, Doc., 13′, PE, 2017

Quase 20 mil famílias que vivem a beira do Rio Xingú são obrigadas a viver mudanças radicais geradas pela construção da hidrelétrica de belo monte. A’ñanga é um curta sobre essa sombra gigantesca que vem tirando a paz do coração do Rio Xingú.

Afrodites – Dir. Renata Dorea, Doc., MG. 20´, 2016

O documentário acompanha jovens mulheres em suas memórias sobre a transição capilar. Foram capturados os relatos sobre como uma alteração estética alcança temas como consciência e resistência afro, além do racismo institucionalizado e da luta diária de ser uma mulher negra no Brasil.

Longa – 19h40 às 20h55

Lute como uma menina! – Dir. Flávio Colombini e Beatriz Alonso, Doc., 76′, SP, 2016

Este documentário conta a história das meninas que participaram do movimento secundarista que ocupou escolas e foi às ruas lutar contra um projeto de reorganização escolar imposto pelo governador de São Paulo que previa o fechamento de escolas.

Essas meninas contam suas aventuras enfrentando figuras de autoridade, desde a luta para tomar a direção das escolas até a violência desenfread a da polícia militar. Uma importante reflexão sobre o feminismo, o atual modelo educacional e o poder popular.

Terceiro dia – Sábado 16/09

Curtas 5 – 15h às 16h

Surara – A luta pela terra Tupinambá –  Dir. Thomaz Pedro e Veronica Monachini, Doc., Pará, 18´, 2017

O documentário acompanha parte do processo de autodemarcação das aldeias do povo Tupinambá do baixo Tapajós que buscam pressionar o governo para reconhecer a área em que vivem como território indígena. Essa luta pela terra evidencia a ligação que esse povo tem com a natureza que é constantemente atravessada pela cosmologia e pela relação que eles estabelecem com os Encantados.

Manifesto Porongos – Dir. Thiago Köche, Doc., 16′, RS, 2016

O documentário “Manifesto Porongos” faz parte de um projeto do grupo de hip hop gaúcho Rafuagi que além do curta-metragem, tem também um videoclipe. O projeto visa contar a verdadeira identidade da Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, sempre ensinada como abolicionista. No documentário mostramos o outro lado, o da verdade sempre omitida, o do Massacre de Porongos, onde negros que lutaram por sua liberdade tiveram suas vidas tiradas covardemente num dos maiores atos racistas e genocidas da história do país.

Bela e banguela: a musa da Guanabara – Dir. Marcelo Goulart, Exp., RJ, 10′, 2017

15 anos depois das filmagens produzidas em película 16mm, o que seria apenas um documentário sobre a Baía de Guanabara, tornou-se um ensaio sobre o próprio fazer cinematográfico

 

 

 

Homorragia – Dir. Lorena Arouche, Exp., 7′, PE, 2016

O filme aborda temática de gênero e seu entrelaçamento com estética e arte, utilizando imagens documentais da Marcha das Vadias, ocorrida em Maio de 2015 e imagens produzidas, experimentalmente, com luz colorida, fogo, líquidos e superfícies…

Deuteronômio – Dir. Érico Luz, Exp., 5′, SP, 2016

Em um lugar pobre, distante e atemporal, a predominância da violência e da cultura do estupro faz ocorrer um milagre que levantará uma questão a respeito da doutrina de justiça, mas também sobre o ideal do livre-arbítrio.

Curtas 6 – 16h15 às 17h50

Entre os ombros – Dir. Carolina Castilho, Fic., 19′, SP, Fic.,

Dani, uma adolescente hermafrodita, sofre pressão de sua mãe para realizar a cirurgia de redesignação sexual.

Olho do cão – Dir. Samuel Lobo, Fic., 20′, RJ, 2017

É domingo no Rio de Janeiro, Buck Jones sai para um passeio.

1977 – Dir. Raphael Pamplona, Fic., 13′, SP, 2017

Em 1977, num cortiço argentino, um brasileiro exilado e atormentado pelo seu passado luta para manter sua sanidade. Porém acaba se entregando à loucura dada por uma paranóia política desencadeada por um mosquito.

Os Insênicos – Dir. Rafaela Uchoa, Doc., 15′, BA, 2017

Dos manicômios aos palcos da vida, Os Insênicos reinventam a loucura através da arte. Formado por dezesseis atores portadores de transtornos psíquicos, o grupo de teatro já tem seis anos de existência e está na sua quarta montagem. Helisleide é uma das atrizes do grupo que teve sua vida totalmente transformada pelo teatro, através da história dela o espectador conhecerá Os Insênicos.

Procura-se Irenice – Dir. Marco Escrivão e Thiago B. Mendonça, Doc., 25′, SP, 2016

O resgate de uma personagem silenciada. “Procura-se Irenice” é a busca por uma atleta esquecida. O encontro com uma história apagada pela ditadura.

Longa – 18h10 às 20h20

Jovens infelizes ou um homem que grita não é um urso que dança – Dir. Thiago B. Mendonça, Fic., São Paulo, 127′, 2016

Um grupo de artistas vive na fronteira entre arte e vida. Com teatro, música e performances em espaços públicos, eles tentam construir uma consciência revolucionária. Mas os horizontes rebaixados de uma sociedade cada vez mais autoritária os faz buscar um último grande ato estético. Feito com orçamento mínimo, o filme é uma metáfora da juventude contemporânea brasileira e seus horizontes políticos inspirado em ensaio de Pier Paolo Pasolini e pela poesia do revolucionário Aimé Cesaire.

Quarto dia – Domingo 17/09

Sessão Infanto-juvenil – 15h às 16h30

No caminho da escola – Dir. Alunos do Projeto Animação, Anima., 9′, ES, 2017

No caminho da escola, uma menina faz uma viagem alucinante por planetas imaginários e perde a primeira aula.

 

 

A caixa (The box) – Dir. Merve Cirisoglu Cotur, Anima., 7′, Inglaterra, 2016

O precisoso bem de uma criança sírioa é uma caixa, que é usada para vários propósitos: como um brinquedo, uma casa e um barco.

 

 

A fresta (La grieta) – Dir. Lula Gómez Jordi Piulachs, Anima. 3′, Espanha, 2016

Uma criança vive uma terrível rotina. Um dia tudo muda!

 

 

 

A piscina de Caíque – Dir. Raphael Gustavo da Silva, Fic., 15′, GO, 2017

Sonhando em ter uma piscina, Caíque e seu amigo inseparável se divertem escorregando no chão molhado e ensaboado da área de serviço. Por causa do desperdício de água, Caíque acaba criando problemas com sua mãe.

 

Cartas – Dir. David Mussel, Anima., 4′, RJ, 2016

Uma mulher trancada em suas memórias recebe uma carta inesperada que a fará ter de enfrentar seus medos e seu passado.

 

 

Sertãozinho – Dir. Rosana Nunes, Doc., 13′, CE, 2017

O filme apresenta o decorrer de um dia na vida de quatro crianças que vivem no sertão do Brasil, evidenciando as dificuldades, as diversões, os afetos e os sonhos pueris dentro de um contexto que apresenta inúmeras adversidades para as idealizações de uma criança, que, apesar de pertencer a uma família de baixa-renda e de as condições geográfico-climáticas serem desfavoráveis à bonança, não desiste de esperar dias vindouros melhores e um futuro farto e promissor…

Osiba Kangamuke – Vamos Lá, Criançada – Dir. Veronica Monachini, Thomaz Pedro, Tawana Kalapalo, Haya Kalapalo, 18′, Doc., MT, 2017

As crianças da aldeia Aiha Kalapalo, do Parque Indígena do Alto Xingu (MT), são as protagonistas desse filme e escolheram mostrar alguns aspectos da sua rotina e da sua cultura. Da escola, onde aprendem o português até os rituais e a luta ikindene, os pequenos Kalapalo demonstram uma sutileza peculiar de quem conhece suas tradições. Osiba Kangamuke – Vamos Lá, Criançada, é resultado de uma oficina de vídeo realizada com as crianças na aldeia, em Julho de 2015, assim elas participam não só da atuação mais também em todo o processo de filmagem. O filme é uma produção conjunta entre cineastas indígenas e não-indígenas, antropólogos e outras pessoas da comunidade Kalapalo.

Insustentarte – Dir. Thiago Otoni, Anima., 3′, GO, 2016

O que é mais surpreendente: toneladas de lixo despejadas no córrego de uma cidade ou um castor genial que vira celebridade?

 

 

Tis – Dir. Chloë Lesueur, Anima., 9′, França, 2016

Uma folha branca de papel. Uma silhueta se destaca de sua superfície. Aqui está nossa heroína, Tis. Ela luta para se libertar da folha, mas continua presa pelos pés.

Curtas  7 – 16h40 às 18h

Kappa Crucis – Dir. João Borges, Doc., 22′, MG, 2016

Entre o cotidiano e a imensidão do universo, o documentário entra na órbita do professor Bernardo Riedel, uma lenda viva da astronomia brasileira.

 

 

Ocorridos do dia 13 – Dir. Débora Zanatta e Estevan de la Fuente, Fic., 19′, PR, 2016

Cinco amigos passam o domingo juntos e almoçam no apartamento de Carol e Ana. Lá fora, uma manifestação política. Além das questões pessoais que cercam as relações, os jovens se posicionam da forma que lhes parece possível diante desse cenário conturbado e sofrem as conseqüências de um país dividido.

Antes da Chuva – Dir. Otávio Almeida, Doc., 21′, SP, 2017

Na região do Xingu, a expansão do agronegócio tem causado sérios impactos na vida de agricultores e indígenas. Uma das consequências mais graves são as mudanças climáticas que alteram todas as formas de subsistência local. O documentário acompanha a rotina dos jovens Anderson, Milene, Oreme e Tawa que desvendam como a vida de suas famílias e de suas comunidades têm sido afetadas e o trabalho que se tem feito na tentativa de minimizar os efeitos dessas mudanças.

Black Out – Dir. Adalmir José da SIlva, Felipe Peres Calheiros, Francisco Mendes, Jocicleide Valdeci de Oliveira, Jocilene Valdeci de Oliveira, Martinho Mendes, Paulo Sano, Sérgio Santos, Doc., 12′, PE, 2016

Quilombo de Conceição das Crioulas, Salgueiro, sertão pernambucano, nordeste do Brasil. Um filme sobre o invisível.

Longa – 18h30 às 20h05

Kabadio – O tempo não tem pressa, anda descalço – Dir. Daniel Leite, Doc., 95′, RJ, 2016

Um mergulho profundo em um novo mundo, cheio de ritos, música, magia, segredos, imagens fascinantes e depoimentos de personagens reais que tentam sobreviver e manter suas tradições, em meio a uma guerra civil e a realidade do contrabando de mercadorias.

No coração da Casamança (região ao sul do Senegal), um pequeno vilarejo muçulmano, uma espécie de ilha mística protegida por guias religiosos chamados de Marabus, e pelo som de tambores, que acendem a fogueira e ditam a sorte de um futuro incerto, onde o misticismo é o único escudo protetor.

Estamos em frente a um grande espelho. O espelho da alma. Onde sopram ventos que se pode tocar; onde se sente o pisar da terra seca a alguns quilômetros do mar. Onde se escutam os risos de crianças iluminadas, que transmitem esperança aos que conseguem se aproximar. Onde o tempo não tem pressa, anda descalço.

 

 

SESSÕES SERRA DO CIPÓ

(data a definir)

O Jabuti e a Anta – Dir. Eliza Capai, Doc, 71′, SP, 2016

A seca em São Paulo é o ponto de partida da viagem. Inquieta com as imagens dos reservatórios vazios no sudeste do Brasil, uma documentarista busca entender estas obras faraônicas, agora construídas no meio da floresta Amazônica. Entre os rios Xingu, Tapajós e Ene, ecoam vozes de ribeirinhos, pescadores e povos indígenas atropelados pela chegada do chamado desenvolvimento. Um boat movie e uma reflexão sobre os impactos de nossos estilos de vida.

Estrutural – Dir. Webson Dias, Doc, 89′, DF, 2016

Fruto de uma pesquisa de mais de dez anos e utilizando material de arquivo, fotos e vídeos registrados pelos próprios moradores, durante conflitos ocorridos nos anos 90, este documentário aborda fatos marcantes para a então invasão da Estrutural. Iniciada ainda na década de 1960, quase que simultânea à construção de Brasília, essa invasão surgiu nos arredores do que hoje é o maior lixão a céu aberto da América Latina. Moradores, políticos e militares apresentam seus pontos de vista sobre o passado e o presente da comunidade, numa síntese do processo de urbanização do Distrito Federal.

Quando meu pai foi à lua – Dir. Daniel Carneiro, Fic., 62′, MG, 2016

Uma ficção científica infanto-juvenil.

Vivência – Dir. Marcela Morê, Doc., 70′, RJ, 2017

Uma casa é construída coletivamente utilizando materiais naturais. Para as donas da casa tudo era uma grande descoberta e um mergulho nesse universo de Bioconstrução e Permacultura. No decorrer da construção descobre-se que o que se passava ali era uma série de vivências. Uma experiência incrível para as mais de 80 pessoas de cada canto do Brasil que passaram pela obra. Atividades paralelas aconteciam durante a obra, alimentação natural, rituais de cura e muita troca de experiências e descobertas. O filme Vivência mostra uma linda casa de barro sendo feita com muito amor.

A Princesa do Beco e o Lampião Cromado – Dir. Rita de Cácia Oenning da Silva e Kurt Shaw, Fic., PE, 2016

Para Severina, uma menina de dez anos que mora num beco estreito na periferia de Recife, a favela é cenário de conto de fadas, onde príncipes e cavaleiros de reinos rivais lutam entre si, e onde o romance entre realezas do maracatu e do break pode surgir a qualquer momento.

Severina conta a história do seu herói, Okado, um jovem bailarino de breakdance que acaba de ser convidado a interpretar um gangsta numa novela. Okado deseja apresentar um personagem honesto, e na sua inocência vai entrevistando traficantes que conhece para achar inspiração para criar seu personagem… Nessas buscas toca em um grande perigo: o verdadeiro mandante do tráfico, um policial corrupto, não quer que ninguém investigue seus negócios.

Enquanto os dragões fecham o cerco ao redor do beco e as tensões crescem entre as favelas rivais, Severina só vê uma esperança para salvar seu herói e os moradores do seu beco: uma lendária rabeca mágica que leva pessoas a dançarem quando iniciam uma briga. Ela se empenha para conseguir a rabeca, embora esteja em posse do chefe do tráfico da favela rival.

Produzido numa colaboração internacional entre Shine a Light (USA), Usina da Imaginação (Brasil) e FavelaNews, colocando em cena artistas de favela e profissionais de cinema, A Princesa do Beco e o Lampião Cromado mistura a inocência e a ficção no imaginário infantil, e a inspiração da vida na periferia que oferece um documentário.

Terramotourism – Dir. Coletivo Left Hand Rotation, Doc., 42′, Portugal, 2016

A 1 de novembro de 1755 um terramoto destruiu a cidade de Lisboa. O seu impacto foi tal que deslocou o homem do centro da criação. As suas ruínas legitimaram o despotismo esclarecido.

Lisboa hoje treme novamente, abalada por um sismo turístico que transforma a cidade a velocidade de cruzeiro. O seu impacto desloca o morador do centro da cidade. Que novos absolutismos encontrarão aqui o seu álibi?

Enquanto o direito à cidade derruba-se, afogado pelo discurso da identidade e do autêntico, a cidade range anunciando o seu colapso e a urgência de uma nova maneira de olhar-nós, de reagir a uma transformação, desta vez previsível, que o desespero do capitalismo finge inevitável.

Prepara! – Dir. Muriel Alves, Doc., 15′, RJ, 2016

A história da primeira turma de um curso pré-vestibular voltado para travestis e transexuais narrada através de saltos altos, apliques, canetas, cadernos, preconceitos e sonhos.

 

Pedacinho do céu – Dir. Caio Alvarenga, Fic, 15′, RJ, 2016

 

No coração do Rio de Janeiro, no ponto mais alto e isolado da favela Pedacinho do Céu, mora Maria da Graça, abnegada e batalhadora mãe de Pedro, que trabalha duro para manter os estudos de seu filho. Ele, por sua vez, aguarda ansiosamente o resultado do vestibular e de uma eventual bolsa de estudos. No contexto de uma sociedade competitiva e desigual, o fracasso de Pedro pode selar definitivamente a sua sorte, mas a vitória e superação também podem cobrar seu preço.”