Entrecorpos (2015, 14′) / SP / Experimental
Direção: Gustavo Raulino


Estamos em uma 2014 fora do tempo, num cenário em que uma represa seca de solo craquelado representa a cidade de São Paulo. Um único casal, Mariana e Renan, habita esse deserto, a cidade desintegrada. Ao se reconhecerem naquele contexto, os dois passam a investigar as causas da seca. Mariana escreve um texto para o qual Renan dá voz. Os dois se comunicam no silêncio, enquanto o poema-narração tece as primordiais imagens que se alternam entre a intimidade serena do interior da casa e a hostilidade árida do espaço externo. Aos poucos a consciência deles desperta para a falta que causa a falta d’água: a falta do entre, a desconexão de todos os corpos, o corpo espiritual e o corpo material, o corpo de um e o corpo do outro, o corpo humano e o corpo Terra. A falta d’água, substância da vida, seria também a falta do sentimento oceânico de ser parte de um todo. À medida que o casal passa a ver-se na problemática e como problemática, as fronteiras entre seco e molhado, vida e morte, espírito e matéria, voz e texto, começam a se dissolver no pó.