Documentário com imagens de arquivo: práticas e reflexões

Data: 9 a 12 de setembro de 2026

Horário: 13h às 16h

Local: Espaço Comum Luiz Estrela (r. Manaus, 348 - BH/MG)

Inscrições: gratuitas, 20 vagas. Idade mínima 14 anos.

Formulário de inscrição.

Público-alvo:  A oficina é voltada para pessoas interessadas em cinema, documentário e experimentação audiovisual.
Não é necessário ter experiência prévia. A proposta acolhe tanto quem está dando os primeiros passos quanto quem já está iniciado nas imagens.

Facilitador: Leandro Olímpio

Leandro Olimpio atua há quase dez anos no cinema, com foco no gênero documental a partir de imagens de arquivo. Em 2025, dirigiu ao lado de Gabrielle Deschain o curta documental `Outra vez nós aqu`, contemplado no edital da Lei Paulo Gustavo, no município de São Vicente.

Em 2024, roteirizou, dirigiu e montou o curta-metragem 'Nosso panfleto seria assim', lançado na 27a Mostra de Tiradentes e selecionado em outros festivais como o Forumdoc.bh 2024, o FertCurtasBH, o 26° Festival Kinoarte de Cinema, o 23 Curta Santos, onde foi premiado como Melhor Documentário da Mostra Olhar Caiçara, o 18o Festival Taguá de Cinema, o 12° Festival Curta Brasília, onde recebeu Menção Honrosa, o 22o

Festival Internacional de Cine Documental Santiago Álvarez, em Cuba, o CineEco 2024, em Portugal, dentre outros no Brasil e exterior.

No mesmo ano, dirigiu ao lado de Telmo Martins, o curta 'Nem sempre', a sua primeira ficção, contemplada na segunda edição do Edital Toninho Dantas, da Prefeitura de Santos, selecionado para a mostra paralela do 48o Festival Guarnicê de Cinema. Em 2023, montou o curta-metragem documental 'Chico Voltou Só', contemplado no edital "Meu Olhar" (SPCine e Canal Futura). O filme foi premiado no 22a Curta Santos com o troféu de Melhor Montagem, na mostra Olhar Caiçara; melhor roteiro, no Santos Film Festival de 2024 e premiado na 16 Mostra MABS, realizada no Teatro Guarany.

Em 2021, montou e co-dirigiu, com Rita de Cássia Melo Santos e Irineu Cruzeiro Neto, o curta-metragem 'Memórias do Fogo', que ganhou o prêmio de melhor filme da Mostra Lanterna Mágica, do Festival Internacional de Cinema de Arquivo, e foi selecionado para diversos festivais, dentre eles a 46a edição do Festival Guarnicê de Cinema, a 35a edição do Cinélatino Rencontres de Toulouse, na França, e a 30a edição do Festival de Cinema de Vitória.

Em 2019, dirigiu e montou o curta 'Imagens de um sonho', feito exclusivamente com vídeos publicados no Youtube por operários terceirizados da Petrobras. O filme foi selecionado para mais de 30 festivais no mundo e recebeu sete premiações. Em 2017, dirigiu e montou seu primeiro curta-metragem, 'Elza', premiado como melhor filme no 16° Curta Santos pelo júri popular; e no II Cine Açude Grande, vencendo o prêmio de melhor filme pelo júri popular e também Menção Honrosa pelo júri técnico.

Sobre:

A oficina “Documentário com imagens de arquivo: práticas e reflexões”, ministrada pelo cineasta Leandro Olimpio, propõe uma imersão no universo desta vertente do cinema com a exibição de obras canônicas e filmes contemporâneos, e a apresentação de textos teóricos que estimulam o pensamento crítico sobre documentário, arquivo e memória.

A pesquisa de materiais pré-existentes e a montagem cinematográfica são compreendidas, ao longo da oficina, como elementos estratégicos para a produção de filmes independentes, com baixo custo ou até mesmo sem orçamento disponível. O objetivo é demonstrar que fazer cinema, sobretudo a quem dá seus primeiros passos, não depende exclusivamente de grandes aparatos.

Serão selecionadas 20 pessoas, que ao longo de quatro encontros presenciais e quatro online, serão provocados a repensar o seu olhar sobre o documentário.

Como exercício prático, a oficina propõe a produção, em grupo, de curtas de até cinco minutos, que serão exibidos em sessão especial da oficina. A proposta é compartilhar com o público o primeiro corte dos filmes, transformando a exibição em espaço de reflexão e debate sobre os caminhos possíveis para a finalização de cada projeto.

Cronograma

Dia 1 — O que é documentário e introdução ao cinema de arquivo

Apresentação das ideias fundamentais sobre o documentário, questionando a noção de que ele deve simplesmente “retratar a realidade”. A aula introduz o documentário como tratamento criativo, parcial e subjetivo da realidade. Em seguida, apresenta o cinema de arquivo por meio de filmes de Chris Marker, Harun Farocki e Ernesto de Carvalho, além do relato do processo de realização de Imagens de um Sonho, de Leandro Olimpio.

Dia 2 — A potência histórica, política e filosófica do arquivo

Discussão sobre como imagens de arquivo podem ser utilizadas não apenas no cinema, mas também na reflexão filosófica e histórica. São apresentados diferentes modos de apropriação e colagem de arquivos, passando pela história do cinema de arquivo e por conceitos de pesquisadoras como Patrícia Machado, Thais Blank, Sylvie Lindeperg e Arlete Farge. A aula também aborda como os arquivos podem produzir novas representações de trabalhadores e grupos sociais.

Dia 3 — Pesquisa e descoberta de arquivos

Apresentação de fontes e acervos onde os participantes podem encontrar imagens e sons para seus filmes, como Arquivo Nacional, TV Tupi, Cinemateca, Hemeroteca Digital, YouTube e Internet Archive. A partir daí, a turma é dividida em três grupos, que começam a desenvolver curtas de até cinco minutos utilizando arquivos públicos ou pessoais. A aula também apresenta exemplos de filmes realizados com acervos familiares.

Dia 4 — Ética, estética e ponto de vista

Reflexão sobre as possibilidades estéticas e as questões éticas envolvidas na utilização de imagens de arquivo. São discutidos casos relacionados a direitos autorais e diferentes formas de apropriação das imagens. A partir de filmes como No intenso agora, Democracia em vertigem e Martírio, os grupos começam a definir com maior clareza o ponto de vista e a posição ética de seus próprios filmes.

Dia 5 — Experiências anteriores e desenvolvimento dos filmes

Exibição de curtas produzidos em edições anteriores da oficina, seguida de discussão sobre as escolhas e processos de realização. Quando possível, os próprios realizadores participam online para conversar com a turma. No final, cada grupo apresenta o estágio em que seu filme se encontra, compartilhando dúvidas, caminhos e possibilidades de desenvolvimento.

Dia 6 — A montagem como criação

A aula se concentra na montagem cinematográfica e nas diferentes maneiras de organizar e relacionar imagens de arquivo. São apresentados conceitos de Maria de Fátima Augusto e Vincent Amiel, acompanhados de trechos de filmes que exploram diferentes estratégias de montagem. Os grupos então discutem como aplicar essas possibilidades aos seus próprios filmes.

Dia 7 — Apresentação e discussão dos filmes

Dia inteiramente dedicado aos filmes produzidos pelos participantes. Cada grupo apresenta um corte provisório, com até 20 minutos para exibição e discussão. A partir das críticas, perguntas e sugestões surgidas coletivamente, os grupos identificam mudanças e aprimoramentos que podem ser incorporados aos filmes.

Dia 8 — Primeiro Corte e encerramento

A oficina termina com uma mostra aberta de Primeiro Corte. Os filmes são exibidos para um público convidado, que participa ativamente com críticas, dúvidas, elogios e sugestões. O formato privilegia a participação do público, permitindo que os realizadores respondam às questões levantadas e utilizem essa experiência como etapa final de reflexão e desenvolvimento dos trabalhos.